meta content='WhereTheLightIsBlog' property='fb:admins'/> Where The Light Is - Por Gabriela Cubayachi: Sobre a saudade do presente

13 abril 2016

Sobre a saudade do presente



Não sei se é a famosa crise dos vinte anos, mas tenho sentido uma nostalgia enorme nos últimos tempos. Não aquela nostalgia no fim do Domingo ou quando alguém coloca Wonderwall pra tocar sem que a gente esteja esperando. É uma nostalgia mais constante, mais presente. Nos últimos tempos, percebi que minha felicidade está em tomar aquele sorvete que eu tomava na casa dos meus avós e que tem gosto de férias e tardes na piscina, em dançar ao som daquela música que eu ouvia no discman e perceber que eu cantava tudo errado, em relembrar histórias com os meus amigos e chorar de rir enquanto faço isso, em cheirar as páginas dos livros que eu passava o dia todo lendo. São sentimentos com gosto de saudade. E talvez seja por isso que, em determinado ponto, eu tenha começado a enxergar a vida com óculos de formatura, sabe? Quando a gente sabe que algo vai acabar em breve, então passamos a aproveitar mais os pequenos momentos, passamos a sentir saudade do que ainda não acabou. Às vezes, enquanto meus amigos riem e conversam sobre tudo, tão presentes na vida um do outro, me pego observando, sorrindo, sentindo saudade do que eu sei que um dia vai mudar, mesmo sem que nenhum de nós realmente queira. Ligo para os meus avós mesmo sem nada de importante pra dizer, mas simplesmente porque sei que tenho sorte de ainda poder fazer isso. Deixo o resto do mundo de lado para apreciar aquele momento que, mesmo raro e rápido demais,  tenho plena consciência de vai ser uma saudade boa no futuro. Como a chuva batendo no vidro do carro enquanto ouço uma música que eu amo. Como o ronron dos meus gatos enquanto eles dormem no meu colo, confiando o mundo deles em mim. Como o cheiro do café que meus pais fazem depois do almoço... Como quando canto músicas antigas no carro com a minha irmã, porque apesar de já ter esquecido quase tudo que aprendi na escola, as letras de Sandy & Júnior tem um espaço reservado no meu cérebro. Sinto saudade de momentos que ainda estão acontecendo. De tudo. E sei que saudade não é o sentimento mais fácil do mundo. Sei que às vezes é mais fácil mudar de música e pensar no que ainda vem pela frente. Mas posso dizer uma coisa? Essa saudade do presente, por mais difícil que seja, tem me ensinado muita coisa. De certa forma, acho que aprendi a desacelerar, a olhar mais, sentir mais, viver mais enquanto ainda estou vivendo, enquanto as coisas ainda estão acontecendo. Lembro de que, não muito tempo atrás, era muito mais fácil fazer promessas. Era muito mais fácil ter certeza de que as coisas durariam para sempre. Amizades, amores, sonhos, rotinas. E aí, de repente, você começa a olhar ao redor e percebe que, por mais que você estivesse prestando atenção, por maior que tenha sido o seu esforço, por mais certeza que você tivesse, algumas coisas já não estão mais ali. Seus amigos ainda podem ser seus amigos, mas os encontros começam a ficar mais raros porque cada um está em um canto agora. Seu amor pode não ter mudado de tamanho, mas muda de forma, de jeito, de proporção. Seus sonhos ainda podem ser seus sonhos, mas seus pés precisam tocar o chão mais vezes agora. Seus dias podem parecer sempre os mesmos, mas você não. Você nunca. Você muda, a vida muda. E apesar de tudo que você deixa pra trás, mesmo sem querer, você percebe que existe muita coisa nova também, coisas que agora você tem certeza que vão durar para sempre. Mas não duram. Lembro de tentar encontrar explicações para isso. Por que as pessoas vão embora? Por que tudo acaba? Lembro de me agarrar tanto ao passado que me sentia presa dentro dele. E então também lembro de me concentrar no futuro porque pensava que não valia a pena olhar pra trás, para o que já foi. Mas foi só depois que passei a olhar para o agora e comecei a sentir saudade do que ainda está sendo, que finalmente entendi que a vida é assim. Um ciclo. Que vamos ter mais finais do que gostaríamos de ter e que não podemos ter certeza de nada... Mas que tudo bem. Tudo bem se sua melhor amiga de infância não for sua melhor amiga para sempre. Tudo bem se você deixar de amar alguém que você achou que ia amar até o fim da vida. Tudo bem se nada continuar o mesmo. Porque tudo isso está no passado. Tudo isso está no futuro. Saber que as coisas não são eternas é saber que a gente tem que aproveitá-las ao máximo, que o seu presente merece muito mais atenção do que recebe, que aquilo que talvez um dia não tenha tanta importância, sempre vai ser a coisa mais importante do mundo no momento em que estiver acontecendo. Porque era ali. Era agora. E você sabia. E acho que, no final das contas, é assim que fazemos com que tudo, por mais finito que seja, dure para sempre.

"I can see it. This one moment when you know you’re not a sad story. You are alive. And you stand up and see the lights on the buildings and everything that makes you wonder. And you’re listening to that song, and that drive with the people who you love most in this world. And in this moment, I swear, we are infinite.”

(The Perks Of Being a Wallflower - Stephen Chbosky)


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6 Comentários

  1. Affff que lindo :(
    Entendo bem esse seu momento, amiga! Sinto muito isso quando estou vivendo alguma coisa muito legal como nossos shows incríveis, mesmo aquele momento ainda não ter acabado já olho pra ele como algo do qual vou sentir muita falta. Mas estou aprendendo a ver as pequenas coisas assim, seja parando de ler no ônibus um minutinho na minha ida ao trabalho pra observar a praia (que, pra quem mora em cidade de praia, é tão fácil de esquecer como isso é lindo) ou salvando no Spotify as músicas especiais que cantei no carro com meus amigos ou que tocou em uma festa.

    E que venham mais momentos memoráveis no nosso futuro pra gente relembrar pro resto da vida :)
    Beijooos <3

    Close To Paradise

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    1. Aaaaaain nem fala :( Você falou em show e engraçado, eu tenho muitos momentos assim em shows do The Maine. Acho que toda aquela vibe e crise de Peter Pan do John me deixa assim. Fico pensando "eu amo tanto isso, vou sentir tanta falta disso", hahaha. E que comentário lindo, Bia. <333333333

      Simmmm, que venham muitosss! <3

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  2. Cara, minha crise dos vinte começou quando fiz 18. Tinha medo de crescer porque me sentia empurrada a isso. Não era mais algo que acontecia. Então percebi que era melhor aproveitar ao máximo o que podia, porque enquanto eu pensava, reclamava e sentia medo aí é que eu perderia tempo e não teria do que senti saudades quando tivesse 40.

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    1. Verdade, Yas! Acho que a pior fase pra mim foi ali nos 18/19, quando eu também me sentia "obrigada" a crescer, ser adulta e deixar certas coisas pra trás. É engraçado pensar que hoje, com quase 23, estou me sentindo mais livre nesse sentido. Consigo olhar pro agora e ver todas as coisas que eu ainda tenho em vez das coisas que eu deixei pra trás. <3

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  3. Concordo com todas as suas palavras, Gabs. Acho que você já sabe o quanto a gente pensa meio "igual" (não igual, porque todo mundo é único... Lógico), mas a gente combina né? hahahaha enfim... O que eu quero falar é que eu te compreendo muito e por sentir muito disso aí, eu aprendi a viver muito mais o meu agora e o que eu posso fazer dele e com ele... Porque o meu presente vai ser meu passado e é o meu futuro também, de certo modo. É um sentimento meio gratificante de ter aprendido a conviver com isso, né? Que por mais difícil e horripilante que seja, tudo bem crescer. O que importa é o agora. E o agora já dá saudade! Mas que sejam saudades muito boas!
    Obrigada pelo post lindo, amiga. Adoro lê-los. Parabéns (mais uma vez! hahaha). <3

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    1. Você sempre com comentários maravilhosos! <3
      Com certeza, amigaaa. É bem isso que vc disse de "aprender a conviver", acho que foi isso que mudou as coisas pra mim. No começo eu meio que ficava "mas nunca vou conseguir aproveitar nada se eu já tiver pensando no fim", mas depois que aprendi a aceitar/conviver, a coisa toda mudou. Parece que fiquei "em paz" com isso.

      Obrigada vc pelo comentário lindo de sempreeeeeeee, sua linda <333

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