meta content='WhereTheLightIsBlog' property='fb:admins'/> Where The Light Is - Por Gabriela Cubayachi: Sobre ganhar um par de meias no verão.

28 junho 2016

Sobre ganhar um par de meias no verão.



Vocês sabem que eu tenho amado fazer pequenos resumos no final de cada mês, mas confesso que os últimos meses foram os mais difíceis de escrever. Na verdade, eu meio que ainda nem consegui. Só acho que enquanto eu não escrever sobre isso aqui, não vou conseguir escrever direito sobre qualquer outra coisa (pra falar a verdade, é por isso que o blog está paradinho). Vocês sabem que eu comecei 2016 com tudo, né? Não só com ideias, mas com coragem e determinação para realmente fazer as coisas e correr atrás do que eu quero. Talvez por isso os primeiros meses tenham sido tão bons. Bons de verdade. Vivos, alegres, com mais resultados do que eu estava tendo nos últimos anos. E aí chegou Março, e com ele um baque enorme, uma situação inimaginável que deixou tudo aqui dentro meio confuso e que fez com que eu perdesse um pouco o ritmo. Tenho uma crença muito grande de que tudo acontece por um motivo, de que as coisas são muito maiores do que a gente e talvez por isso a gente demore tanto pra entender, sabem? Mas algumas coisas... Algumas coisas são tão impossíveis de entender, que a única opção é confiar, seguir em frente e esperar para que algum dia elas passem a fazer sentido (ou que não nos atormentem tanto). Segui, um pouco mais devagar do que antes, mas segui. Abril foi difícil, mas cheio de coisas boas e que fizeram com que eu finalmente começasse a me recuperar. E então em Maio veio outro baque. E outro. E outro. E outro. O tempo todo. Comigo. Com a minha família. Com meus amigos. Com pessoas que eu nem conheço. E quando isso se arrastou pra Junho, eu cheguei à conclusão de que, talvez - só talvez -, se eu não levantasse da cama, as coisas ruins parariam de acontecer... Pelo menos por um tempo, só pra eu respirar um pouquinho. Mas no final das contas, acho que entendi que não adianta muito. As coisas ruins vão continuar acontecendo, mas as coisas boas - as que dependem da gente - não vão sair do lugar enquanto a gente não sair também. Nós vamos continuar nos sentindo minúsculos assistindo alguém que a gente ama sofrer ou morrer sem poder fazer nada por isso, vamos continuar nos sentindo sufocados pela nossa dor e pela dor dos outros, vamos continuar nos frustrando enquanto assistimos nossos sonhos serem pisoteados bem na nossa frente, vamos continuar sem entender o sentido de metade das coisas que se passam nos noticiários, e nunca vamos nos conformar com as coisas ruins, simplesmente porque nós não somos feitos pra isso. Não somos feitos para sentimentos ruins... E talvez por isso eu tenha entendido a verdadeira importância de lutar contra todo esse mal. Mesmo que a gente não ganhe sempre. Mesmo que nem sempre faça sentido. No final das contas, lutar é o que conta, porque significa que não nos entregamos, que ainda acreditamos - nem que seja só um pouquinho - que as coisas podem melhorar. E vão. Acreditem. Tem horas que o saldo é tão negativo que nossa vontade é simplesmente deixar pra lá, mas uma hora, por mais que demore, a balança pende pro outro lado até a gente encontrar o equilíbrio. Acho que o que eu quero dizer é que... Vai ficar tudo bem. Comigo, com você que está lendo este post. Eu olho ao redor e escolho enxergar a vida como ela é: um presente. Porque é, não é? E como todo presente, nem sempre nós ganhamos exatamente aquilo que queremos, mas sim o que acham que a gente precisa. É como quando a gente é criança e quer ganhar um brinquedo, mas ganhamos um par de meias em pleno verão. Choramos, ficamos decepcionados e colocamos de lado, sem perceber que é o par de meias que vai nos manter aquecidos dali algum tempo. E então, quando chega o inverno, você finalmente para e aprecia o fato de que, mesmo que você não tenha ganhado o que queria, ou que não tenha feito sentido na hora, um dia vai fazer. E talvez seja isso. Talvez eu precise parar de pensar na minha lista de presentes e deixar de lado a pressa em abrir os pacotes, porque o que quer que tenha lá dentro, já é meu e vai ser meu independente se eu abrir em um minuto, em uma hora ou em um ano. E o que não é pra mim, não importa o quanto eu chore, esperneie e insista, simplesmente não vai estar lá. Preciso aprender a apreciar a embalagem em vez de rasgá-la com meu desespero.  Preciso acreditar que Deus - ou o universo, ou o que quer que você acredite - sabe exatamente o que eu preciso, melhor do que eu mesma. Preciso, acima de tudo e qualquer coisa, aprender a agradecer aquilo que eu recebo... Mesmo que seja um simples par de meias em pleno verão.

"I don't know if we each have a destiny, or if we're all just floating around accidentally, like on a breeze. But I think maybe it's both. Maybe both is happening at the same time." (Forrest Gump)

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