meta content='WhereTheLightIsBlog' property='fb:admins'/> Where The Light Is - Por Gabriela Cubayachi: o despertar

15 junho 2017

o despertar



alguma coisa mudou aqui dentro.
confesso que estive me sentindo esquisita nos últimos meses, como se a garota que eu era tivesse ficado pra trás, mas eu ainda não conseguia enxergar garota que eu iria me tornar. fiquei nesse limbo emocional, me rebatendo aqui e ali, tentando entender o que estava acontecendo. e aí, de repente, tudo mudou. não consigo explicar. é como se eu estivesse vivendo em uma bolha e o universo tivesse decidido que era hora dessa bolha explodir, de eu nascer de novo, ver o mundo com outros olhos. e estou vendo, estou enxergando... e me assusta que tenha demorado tanto pra isso acontecer. hoje eu saí de casa, andei pela cidade onde vivi a vida inteira, fui à lugares que frequento há anos e me senti como uma criança, vendo tudo pela primeira vez. me senti exausta por esse estilo de vida que criamos pra nós mesmos, sem propósito. me senti sufocada pelos sentimentos que aprendemos a guardar dentro de nós porque vivemos em uma sociedade que enaltece o desinteresse. nada mais faz sentido. as jornadas intermináveis de trabalho, as conversas depressivas em mesas de bar, a geração cada vez mais doente mentalmente. sinto que somos humanos, mas não de verdade. fomos feitos pra sentir, mas em algum lugar no meio do caminho decidimos que ser sensível é ser fraco. garotos aprendem a não chorar, garotas são diminuídas por chorarem demais. precisamos de conexão, mas em vez disso escolhemos nos isolar, cansados demais de sermos machucados. estamos quebrando uns aos outros porque cedemos cedo demais ao desespero de sermos amados, quando ainda nem aprendemos a amar. temos tudo que precisamos pra viver, mas mesmo assim insistimos em inventar coisas, coisas e mais coisas que só servem pra nos dar uma vida de insatisfação. dói que o mundo seja tão lindo, mas que a maioria de nós nunca vai vê-lo. sei que nada disso é novidade. falamos disso o tempo inteiro, mas logo voltamos para o modo automático e as coisas continuam do jeito que são, porque temos contas pra pagar, horário pra acordar e esse assunto já levou tempo demais. 
sinto que estou me desfazendo.
não de mim mesma, mas de quem o mundo disse que eu era. estou cada vez mais próxima da garotinha que sempre preferiu andar descalça, se sujar de terra e tomar chuva. estou reaprendendo a sonhar e deixar minha imaginação fluir. nunca servi pra filtros e meias palavras. nunca gostei de conhecer alguém pela metade. quero conexões inteiras. quero vulnerabilidade, sentimento, energia. não sinto que despertei pro que existe de errado no mundo. disso a gente está cansado de saber. agora é diferente, é mais perigoso, porque eu despertei pro que estava escondido. pra tanta beleza, tanto propósito. é como se eu estivesse conectada em outra sintonia. o que eu conhecia virou ruído e minha atenção mudou de foco. nada mais passa despercebido. 
demorou... mas eu despertei. estou nascendo de novo. 

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